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Parte I: O Despertar
Capítulo 1. Por Que o Bitcoin é a oitava maravilha do mundo

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«Existem 58 milhões de milionários no mundo e apenas 21 milhões de bitcoins».

O sonho de um mundo melhor tem transformado a humanidade desde os tempos mais remotos. Com o desenvolvimento dinâmico da tecnologia, diferentes líderes de opinião questionam os modelos existentes de sociedade em termos de sua sustentabilidade futura. Liberdade pessoal versus coerção e controle estatal, ou uma vida mais confortável e fácil à custa da perda da privacidade. Essas questões são uma metáfora para reflexões profundas sobre a digitalização do nosso mundo e a interação do homem com a tecnologia. Os defensores da criptoeconomia veem um novo modelo de descentralização, baseado na tecnologia blockchain, como um possível caminho para a criação de um mundo mais justo e equitativo.

Em 31 de outubro de 2008, um programador usando o pseudônimo de Satoshi Nakamoto publicou em uma lista de discussão de criptografia um breve artigo anunciando a criação de um «novo sistema de pagamento eletrônico descentralizado», funcionando sem intermediários. O artigo descrevia um sistema em que todas as transações ocorrem diretamente, sem a necessidade de terceiros confiáveis. O autor forneceu uma visão geral do artigo e um link para a versão completa. A ideia principal era criar um sistema de pagamento com sua própria moeda, usando algoritmos matemáticos complexos para validar transações sem intermediários. A emissão desta moeda digital ocorreria automaticamente, com uma frequência predefinida, recompensando os usuários pelos esforços computacionais gastos na confirmação das operações.

Embora a maioria das tentativas anteriores de criar dinheiro digital não tivesse sucesso, o sistema proposto por Satoshi Nakamoto conseguiu se estabelecer. Inicialmente, parecia que o Bitcoin atrairia apenas um pequeno grupo de criptógrafos, pois no primeiro ano apenas algumas dezenas de usuários começaram a minerar e trocar «coins», que na época tinham apenas valor colecionável. No entanto, em outubro de 2009, uma bolsa online realizou uma transação de 5050 bitcoins por 5,02 dólares, equivalente a 1 dólar por 1006 «moedas». Este foi o primeiro caso de troca de moeda digital por dinheiro fiduciário, com o valor baseado no custo da energia necessária para sua mineração. Este momento foi crucial, pois o Bitcoin começou a ser visto não apenas como um brinquedo para programadores, mas como um ativo real com um preço pelo qual as pessoas estavam dispostas a pagar. Em 22 de maio de 2010, ocorreu outro marco: um usuário gastou 10 mil bitcoins em duas pizzas no valor de 25 dólares. Foi a primeira vez que o Bitcoin foi usado como meio de troca de bens. A transição do Bitcoin de um ativo colecionável para um meio de troca levou cerca de sete meses. Desde então, o número de usuários e transações na rede Bitcoin cresceu constantemente, assim como a capacidade computacional. Como resultado, em poucos anos, o preço da criptomoeda disparou para níveis recordes.

Hoje, podemos afirmar com segurança que a invenção de Nakamoto não é apenas uma paixão de entusiastas, mas uma tecnologia que passou no teste do mercado e resolve problemas concretos. O preço do Bitcoin já é incluído em boletins de notícias ao lado das cotações das moedas nacionais. O Bitcoin deve ser visto como um software distribuído que permite transferências de valor usando uma moeda protegida contra inflação e independente de intermediários centralizados. Em outras palavras, o Bitcoin automatiza funções que hoje cabem aos bancos centrais, codificadas em software distribuído por milhares de máquinas. Isso garante quase total segurança, pois mudanças no código só podem ser feitas com o consentimento de todos os participantes da rede. Assim, o Bitcoin se tornou a primeira moeda digital viável, oferecendo confiabilidade e estabilidade. Embora tenha surgido na era digital, seus objetivos – fornecer um meio de pagamento controlado inteiramente pelo proprietário e quase imune à inflação – são relevantes desde os tempos antigos.

Para entender o Bitcoin, é preciso primeiro compreender a natureza do dinheiro, suas funções e sua história. Alimentos, sal, peles de animais, ouro, prata, notas promissórias e até objetos brilhantes serviram, em diferentes épocas, como dinheiro. O valor que hoje chamamos de dinheiro pode ser convertido em diversos serviços e bens. É evidente que o dinheiro passou por muitas transformações ao longo da história, das moedas e cédulas físicas às formas digitais modernas. Essa evolução reflete o crescimento e a complexidade da sociedade. A moeda é a manifestação prática do conceito de dinheiro e, para cumprir sua função, deve atender a três critérios principais: ser um meio confiável de preservação de valor, fornecer um método eficiente de transferência de valor e servir como uma medida conveniente de valor, que possa ser comparada e quantificada. O elemento-chave desses critérios é a confiança social. Por isso, muitas formas iniciais de troca, como gado, conchas ou simplesmente objetos brilhantes, não se consolidaram como dinheiro. Elas não atendiam a todos os requisitos, pois não preservavam valor estável, eram inconvenientes de transportar e difíceis de medir e comparar. Entre todas as moedas, o ouro é uma das mais antigas e conhecidas. Ele possui várias vantagens que o tornam uma moeda ideal:

Raridade e durabilidade: o ouro é um metal raro, difícil de reproduzir e extrair. Não se deteriora com o tempo e mantém suas propriedades e valor. Apesar de ser usado em joias, mantém suas características e valor.

Facilidade de transporte: devido à sua alta densidade, o ouro é compacto e fácil de transportar, uma vantagem significativa em relação, por exemplo, a animais vivos.

Uniformidade: o ouro é altamente uniforme – uma onça de ouro puro é igual a qualquer outra onça. Isso facilita o comércio e torna o ouro prático para trocas, diferente de conchas ou pedras preciosas, que variam em valor.

O valor do ouro é baseado na confiança social, formada por sua raridade, intercambiabilidade, portabilidade e resistência à deterioração. No entanto, com o tempo, surgiram desvantagens no uso do ouro como moeda. Falsificadores começaram a adicionar metais menos valiosos ao ouro, reduzindo seu valor original. Além disso, carregar barras de ouro pesadas era incômodo, e as pessoas buscavam alternativas mais práticas. Dividir ouro também era difícil no comércio cotidiano. Buscando uma solução melhor, surgiu o dinheiro em papel lastreado em ouro. O princípio era simples: você depositava ouro (ou prata) em um banco e recebia um documento, conhecido como nota promissória, que podia ser usado como dinheiro. O dinheiro em papel era muito mais leve, facilmente fracionável e o banco podia torná-lo relativamente difícil de falsificar. Assim, o papel atendia a todos os critérios e, mais importante, gozava de confiança, pois a nota promissória era lastreada em ouro.

Mas o que há de errado com nosso dinheiro em papel hoje? Quer ouvir a dura verdade? Na década de 1950, a maioria dos países abandonou o chamado «padrão ouro», desvinculando a oferta monetária do ouro. Até o dólar americano, a principal moeda de reserva mundial, deixou o padrão ouro em favor do câmbio flutuante em 1971. Os governos queriam gerenciar melhor a inflação e a deflação controlando a quantidade de dinheiro em circulação. De repente, qualquer banco central poderia aumentar ou diminuir a oferta de dinheiro a seu critério. O dinheiro tornou-se uma mercadoria que vale exatamente o quanto as pessoas estão dispostas a pagar nos mercados externos, ou conforme a confiança local. O dinheiro em papel moderno deixou de ser meio de preservação de valor. O papel-moeda tem valor apenas para você. Você não pode imprimir mais dinheiro – mas os bancos centrais podem, pois o dinheiro não está mais vinculado ao ouro, dando ao governo o poder de multiplicar a moeda à vontade.

O governo imprime dinheiro, e a inflação faz seu valor cair. Em vez de confiar no lastro em ouro, devemos confiar em algo totalmente novo: uma autoridade central que esperamos que cuide do dinheiro em papel e o torne um bom meio de preservação de valor. Em uma frase: com a chegada do dinheiro em papel, o sistema monetário se tornou centralizado. No tempo do ouro, era descentralizado. Qualquer pessoa podia minerar ouro. Todos podiam possuí-lo. Com o dinheiro digital, a centralização aumentou. Instituições centrais decidiram quem pode abrir uma conta, gerenciar limites de transferência e, o mais importante, manter saldos. Sem esse controle, qualquer um poderia simplesmente copiar e multiplicar dinheiro em seu computador. A centralização deu ao dinheiro uma nova função: controlar quem pode usá-lo.

Pense em uma nota de dólar ou moeda metálica. Ao transferi-la a alguém, não é necessário que a pessoa saiba quem você é. Ela só precisa confiar que o dinheiro recebido não é falsificado. Normalmente, as pessoas verificam o dinheiro visualmente, pelo tato ou com equipamentos especiais, especialmente em grandes quantidades. Como vivemos em uma sociedade digital, a maioria dos pagamentos agora é eletrônica, por intermediários: emissoras de cartões, como Visa, provedores de pagamentos digitais, como PayPal ou Apple Pay, ou plataformas online, como WeChat na China. A digitalização dos pagamentos exige a presença de um participante central que confirme cada transação. Ao trocar a possibilidade de pagar em dinheiro pela conveniência dos pagamentos digitais, criamos um sistema que dá poderes excepcionais àqueles que podem tentar nos oprimir. A organização central é responsável e pode ditar o que as pessoas podem ou não fazer com seu dinheiro. Muitas pessoas se perguntaram: seria possível um sistema monetário digital com todas as vantagens, mas sem uma autoridade central confiável? O Bitcoin oferece uma alternativa aos pagamentos digitais centralizados, devolvendo a natureza peer-to-peer do dinheiro, mas em formato digital.

O Bitcoin é talvez o melhor instrumento para preservação de valor em um contexto de inflação e instabilidade das moedas fiduciárias. Em um mundo onde a inflação reduz rapidamente o poder de compra das moedas tradicionais, cada vez mais pessoas buscam formas alternativas de preservar capital. Uma delas é o Bitcoin. Mas por que o Bitcoin conquistou esse status e quais são suas vantagens sobre o dinheiro fiduciário? A principal diferença do Bitcoin é sua emissão limitada. Ao contrário de dólares, euros e outras moedas governamentais, que podem ser impressos em qualquer quantidade, nunca haverá mais de 21 milhões de bitcoins. Isso está matematicamente fixado em seu código e não pode ser alterado por governos ou corporações. Essa limitação torna o Bitcoin um ativo escasso, imune à desvalorização por «impressão» de dinheiro. Além disso, a emissão de Bitcoin é transparente e previsível. A cada quatro anos ocorre o «halving» – redução pela metade da recompensa da mineração de novos bitcoins. Isso diminui o ritmo da inflação do Bitcoin e torna-o, por natureza, um ativo deflacionário. Diferente do sistema fiduciário, cujas decisões são frequentemente tomadas a portas fechadas pelos bancos centrais, o mecanismo do Bitcoin é aberto e independente de interesses políticos.

Em tempos de crises econômicas, instabilidade, sanções e desvalorização das moedas nacionais, o Bitcoin se mostra como um ativo global independente, acessível a qualquer pessoa com conexão à internet. Não pode ser congelado, bloqueado ou revogado – existe fora do sistema bancário, atraindo aqueles que vivem em países com liberdade financeira limitada ou hiperinflacionária. Exemplos claros são Argentina, Turquia e Nigéria, onde o Bitcoin tornou-se, para muitos, a única forma de preservar economias.

Finalmente, o Bitcoin é uma raridade digital. Diferente do ouro, é fácil de armazenar, transferir e fracionar. Um BTC pode ser dividido em 100 milhões de satoshis, tornando-o útil até para microtransações e pequenas economias. Essa flexibilidade o torna não apenas um instrumento de investimento, mas também um meio de liberdade financeira para milhões de pessoas no mundo.

O Bitcoin não é apenas um ativo especulativo ou uma moda passageira. É uma ferramenta real para proteger recursos em um mundo onde a confiança nas instituições financeiras tradicionais diminui e as moedas fiduciárias cada vez mais perdem estabilidade. Em contextos de alta inflação e instabilidade, o Bitcoin é o equivalente digital do ouro no século XXI – confiável, limitado e independente.

No mundo, há 58 milhões de milionários e apenas 21 milhões de bitcoins. Mesmo que cada um quisesse apenas um, não haveria o suficiente para todos. Compre Bitcoin todo mês por uma quantia fixa – independentemente do preço. Faça isso de forma consistente, ano após ano, e você formará um capital capaz de garantir uma aposentadoria confortável. Essa estratégia chama-se DCA (Dollar-Cost Averaging) – uma das formas mais simples e confiáveis de acumular capital em um mundo de alta volatilidade.

Nasceu uma criança? Comece a poupar para ela – não em moedas fiduciárias sujeitas à inflação, mas em um ativo de emissão limitada. Compre Bitcoin todo mês e, aos 16—18 anos, você terá criado um capital inicial que pode ser destinado para:

Educação universitária.

Entrada para uma casa ou compra de imóvel.

Início de negócio próprio ou portfólio de investimentos.

Simplesmente para um começo seguro neste mundo instável, onde cada decisão financeira importa.

Estabilidade está na regularidade. Confiança no futuro está nas ações de hoje.

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