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4 - Tom nativo

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Agora eles podiam relaxar de verdade, Jake alugou um Tuk Tuk, uma scooter motorizada com o espaço do motorista na frente, e uma pequena cabine coberta na parte de trás para os passageiros. Ele entrou no Tuk Tuk junto com Tess, Carmen e Nicola. O motorista os levou para um passeio bem tranquilo pelos pontos turísticos de Phnom Penh. Eles viram as atrações mais comuns: O palácio real com um templo de prata e o Museu Nacional, construído no estilo clássico Khmer pelos franceses durante a era colonial no final do século XIX. Eles também visitaram o Monumento da Independência, que foi construído na década de 1950, mas também foi construído no antigo estilo Khmer. Os colonos franceses deixaram a sua marca, com várias moradias, igrejas francesas, avenidas com o estilo de arte e decoração Phsar Thom Thmei.

De volta ao hotel, os casais tiveram um excelente jantar e, pela manhã, aproveitaram o brunch com champanhe Veuve Clicquot do hotel. Eles haviam acabado de colher ostras que haviam sido trazidas da França, foie gras terrine e até raclette. Eles estavam desfrutando de um paraíso francês nos trópicos, bem diferente da vida dos cambojanos que eles viram caminhando durante o passeio pela cidade.

Tess estava perfeitamente feliz, se deliciando com a piscina, usando máximo que podia de protetor solar e comendo nos restaurantes do hotel, mas sabia por experiência que sua indulgência não duraria. Como previsto, no dia seguinte, Jake convenceu Tess e o outro casal a irem até a cidade para vivenciarem o cenário local.

Eventualmente eles acabaram entrando em um restaurante nativo. Ao visitar um novo lugar, Jake, o aventureiro gourmet, avidamente procura pratos nacionais, e este lugar era perfeito para saborear pratos exóticos. Típico do seu MO, Jake adquiriu um conhecimento prático da língua em apenas algumas semanas, e ao mesmo tempo aprendeu sobre a cozinha local. Agora ele queria provar a comida, uma atividade que geralmente alarmava Tess. Ela era mais conservadora em suas preferências culinárias. Tess realmente amava Jake, até ele a arrastar para lugares que ela considerava estar bem longe de ser um restaurante civilizado e se aprofundar na busca de uma comida local autêntica. Em momentos como este, ela simplesmente suportava e tolerava o entusiasmo desenfreado do marido por novas lugares e sabores.

Jake começou a informar seus amigos sobre os destaques da cozinha Khmer. Ele começou a descrever os pratos que estavam em exibição sobre um balcão no restaurante. - Este é o peixe Amok. - Ele disse apontando para um dos pratos que estava a mostra. - Eles basicamente colocam o peixe em uma espuma. É suposto ter um gosto muito melhor do que aparenta.

Seus companheiros não pareciam estar convencidos, mas ele continuou compartilhando o que tinha aprendido. - Os cozinheiros adicionam slok ngor, uma erva local que trás um sutil amargor. Eles misturam essa combinação com leite de coco fresco e kroeung, um curry de erva-cidreira, raiz de cúrcuma, alho, cebolinha, galangal e gengibre chinês. Eles geralmente vaporizam em uma folha de bananeira, enquanto outros fazem uma versão fervida que é mais parecida com um curry de peixe com sopa do que com uma musse.

Mal eles haviam começado a considerar suas opções de prato, Tess e Carmen já estavam tentando não vomitar. Nicola parecia seguir pelo mesmo caminho. Jake concluiu, baseado na reação das mulheres, que aquele prato não era uma opção, então ele continuou a descrever o próximo.

Tess agora estava quase melancólica. - Eles tem um bom e simples bife, ao ponto e com batatas cozidas?

Carmen acrescentou, - Eu vi um restaurante mexicano a caminho daqui? Eu poderia comer uma enchilada verde.

Eram nessas ocasiões em que Tess desejava que Jake não possuísse uma memória fotográfica infalível. Juntamente com sua paixão pelo que ela considerava gostos estranhos, suas inclinações culinárias nunca deixavam de incomodá-la.

O entusiasmo de Jake era inabalável, ele animadamente apontou para um prato estranho. - Eu não acho que conseguiríamos encontrar isso hoje a noite. Continuando, formigas vermelhas fritas com carne e manjericão. Eles usam insetos de vários tamanhos, alguns quase não se consegue ver e outros tem quase uma polegada de comprimento. Estes são fritos com gengibre, erva-cidreira, alho, cebolinha e carne em fatias finas. Eles então adicionam pimenta, tomando cuidado para não subjugar o delicado sabor azedo que as formigas transmitem à carne. Este prato é servido com arroz e, se tiver sorte, você também receberá uma porção de larvas de formiga na sua tigela.

Jake olhou para Tess com a esperança que ela pelo menos considerasse experimentar o prato.

- Jake, se você cogitar isso eu lhe garanto um divórcio!

Carmen parecia enjoada e Nicola rapidamente sugeriu uma lasanha, ou pizza, num restaurante italiano. - Nós passamos por um, até que parecia decente.

Com um suspiro de decepção, Jake finalmente sugeriu Ang dtray-meuk — lulas grelhadas. - Não tem como errar escolhendo qualquer coisa que seja em porção espetada numa vara. Eles temperam com suco de limão ou molho de peixe e depois o assam em espetos de madeira. Para finalizar eles servem com um molho feito de alho, pimenta fresca, molho de peixe, suco de limão e açúcar. Vendedores de frutos do mar carregam pequenos fornos de carvão em seus ombros e cozinham a lula enquanto caminham pela praia.

Tess tomou uma rápida decisão. - Sim, vamos pedir isso. Ela continuava relutante em comer ali, mas pelo menos ela estava familiarizada com lula. Ela experimentou na França e eram saborosas. Aliviados, eles sentaram em uma mesa na varanda do restaurante, felizes por terem sido poupados de ouvir o resto da variedade de pratos oferecidos no local. O olhar agressivo de Tess não deu muitas opções a Jake, então eles pediram as bebidas.

- Graças a Deus as apresentações acabaram. - Tess falou depois de um pequeno gole do seu uísque single malt. - Ensinar os pilotos a como pilotar helicópteros nesse calor e com essa umidade, é o pior do que no deserto do Iraque.

Jake não estava prestando atenção. Seus olhos estavam cobiçando os pratos, que para ele eram proibidos, que os garçons serviam.

O jantar chegou, Tess teve que admitir que as lulas estavam excelente.

Então Jake sugeriu que eles experimentassem Cha houy teuk, uma sobremesa de geleia. Ele informou ao grupo que era feita de agar, uma gelatina derivada de algas marinhas. Pra começar, Tess não gostava de cremes e coisas moles, mas se obrigou a suportar a empolgação de Jake enquanto contava sobre a receita. - A geleia é combinada com sagu, feijão mungo branqueado e creme de coco, servido em uma tigela com uma colher de gelo raspado.

- De qualquer forma, você deve experimentar. Tess exibia um olhar ameaçador para Jake, caso ele ousasse pedir essa estranha combinação para ela. Nicola e Carmen escolheram um flan.

O jantar acabou e os casais começaram a caminhada de volta para o hotel. As ruas estavam movimentadas, a maior parte das pessoas aproveitavam seus jantares nos restaurantes. No caminho, eles passaram pelo bairro de sexo mais famoso de Phnom Penh, era chamado Edifício Branco. Se chamava assim por ter uma estrutura sinistra, decadente, branca acinzentada, que se estendia por vários quarteirões da cidade. Jake informou aos seus companheiros que, de acordo com suas pesquisas, as inquilinas daquele bairro eram prostitutas, muitas das quais tinham sido expulsas de bordéis menores porque estavam demasiado velhas ou desgastadas.

- O que você quer dizer com velha? Tess perguntou. - Eu vejo, na sua maioria, jovens.

- Nessas áreas, prostitutas na adolescência e 20 anos, não são mais tão úteis. Elas não tem outro lugar para ir a não ser aqui, a maioria não tem educação ou habilidades para outros trabalhos.

Tess não conseguia acreditar m seus olhos. A ideia de que uma mulher de 20 anos era considerada velha e que um edifício tão grande fosse dedicado à prostituição, a deixava chocada. Carmen estremeceu. A cena era pior do que o sul de Los Angeles, o duro lugar onde ela cresceu.

Eles continuaram descendo a rua, nas sombras do terrível prédio, passaram por vendedores que estavam vendendo frutas, partes de bicicletas e nozes seca. Todos os olhos estavam neles. Um homem em uma moto os observava perto demais.

De repente, eles ouviram um grito. Um cara estava segurando uma jovem mulher pelos cabelos, batendo nela repetidamente. Ela estava resistindo com toda sua força e arranjou um jeito de escapar, mas ele a alcançou e retomou o ataque.

As pessoas nas varandas e os pedestres agiam como se nada estivesse acontecendo. Esse tipo de espetáculo não parecia ser incomum. O homem continuava a bater na garota até que Tees decidiu fazer algo a respeito. Ela correu até eles e chutou o homem bem no estômago. Ele foi momentaneamente afastado da vítima, mas rapidamente se recuperou e contra-atacou com movimentos de artes marciais bem treinados. Tess o viu chegando e recorreu a sua pirueta alta, esmagando o homem na cabeça com o pé e derrubando o homem no chão. Sempre que podia, Tess evitava usar as mãos. Ela mais do que compensou essa limitação empregando o resto de seu corpo para destruir os adversários. Tendo sido uma piloto de helicóptero, ela recebeu uma formação fundamental em artes marciais, tendo sido reforçada por conta própria.

Do lado de fora da briga, Carmen e Nicola ficaram parados, olhando totalmente despreocupados. - Parece que Tess esta furiosa hoje. Melhor nos afastarmos. - Carmen sugeriu. Jake se acomodou apoiado em uma parede, acendeu um cigarro e observou o balé que Tess fazia com a precisão de seus movimentos. Ele não estava preocupado com a segurança dela. Tess podia ser letal quando provocada, ou quando ficava com raiva do mau comportamento das pessoas.

O agressor agora estava inconsciente com seu rosto em uma poça no meio da rua. A mulher que foi agredida estava sentada no chão, encostada em uma árvore, chorando. Tess e Carmen foram até ela e a ajudaram a levantar. Todo mundo na rua continuou a fazer o que estavam fazendo, indiferentes e alheios ao tumulto.

Jake tentou se comunicar com a jovem usando o pouco que tinha aprendido da língua local. Ele estava certo que o nome dela era Suchin Montri e que o homem, que agora estava no chão, era seu cafetão. Ela parecia estar aterrorizada ao pensar que teria que enfrentá-lo novamente. Então Tess e o resto do pessoal chamaram um taxi e levaram a jovem para o hotel com eles. Ela abraçou Carmen e Nicola e assegurou que ela e Jake iriam tomar conta da garota. - Apenas aproveitem o resto do dia. Nós nos vemos amanhã.

Uma vez no quarto, Tess ajudou a menina a tomar um banho e quando ela saiu lhe emprestou uma de suas camisolas. Jake pediu comida através do serviço de quarto e deixou a mulher se recompor. Eles conseguiram fazer com que ela comesse um pouco.

Jake conseguiu de alguma forma se comunicar com Suchin, percebendo que agora eles possuíam um problema. O que fazer com uma jovem prostituta que estava em perigo de ser severamente espancada, ou pior, por seu cafetão? Eles decidiram dar um passo de cada vez. Primeiro, ela precisava descansar. Eles a deitaram em uma das camas do quarto e Tess a deu um sedativo.

Sunchin dormiu, mas foi atormentada por pesadelos. Ela chorava e gemia durante o sono e teve que ser confortada várias vezes. Depois de uma noite agitada para todos, Jake perguntou a mulher o que ela gostaria para o café da manhã e pediu pelo serviço de quarto. O garçom entregou a comida no quarto e não piscou o olho ao ver dois ocidentais hospedando uma mulher local em seu quarto. Aparentemente, esses acordos eram comuns.

Jake, lentamente, tentou descobrir o que aflingia Suchin durante a noite. Hesitante, a jovem mulher disse-lhe o que ela sonhou. Ela estava sendo perseguido por homens. Eles a pegaram e jogaram-a em um quarto imundo, infestado de baratas. Ela sabia o que iria acontecer a seguir: Eles iriam torturá-la — chicoteá-la com cabos de metal, trancá-la numa jaula, choque com um fio elétrico solto — e depois iriam estupra-la. Não era realmente um sonho. Suchin realmente passou por isso.

A menina continuou. Sua mãe a vendeu para um bordel quando ela tinha sete anos de idade. Durante anos, cafetões forçaram Suchin para mais de 20 homens por dia. Se ela não fizesse o que mandavam, ou se ela tentasse fugir, ela era severamente punida. Queimada com um ferro quente, coberta de insetos que a mordiam e pior. - Eu quero morrer. - Ela disse. Ela teve relações sexuais com centenas de homens pelo tempo que ela tinha dez anos de idade.

Tess ficou chocada. - É difícil acreditar que uma mãe venderia sua própria filha para uma vida de escravidão.

Jake acessou a enciclopédia que se disfarçava como seu cérebro. - Camboja é uma nação fraca e corrupta que ainda esta se recuperando do genocídio cometido pelo regime Khmer, nos anos 70. O terror não pára por aqui. Mais de 12 milhões de pessoas são agora vítimas de prostituição forçada em todo o mundo. Compra e venda de seres humanos é um negócio global de US $ 32 bilhões.

Tess ligou para recepção e pediu para eles enviarem um tradutor. Um homem chamado Aran Mookjai apareceu na porta em quinze minutos e Jake rapidamente negociou o pagamento.

Suchin sentou na cama e começou a falar sobre a história da sua vida, Aran estava traduzindo as palavra dela. Ela lembrou de um infância feliz, com pais amorosos, três irmãos e uma casa fora da cidade. A família era dona de um campo de arroz. Seu pai até planejou que as crianças frequentassem a escola.

Infelizmente, seu pai morreu quando ela tinha cinco anos de idade. - Depois disso minha mãe mudou. - Sunchin disse. - Ele estava muito infeliz. Ficamos desamparados. Eventualmente, a família mudou-se para uma cabana. Quando Suchin tinha sete anos, sua mãe a vendeu, dizendo que ela seria uma empregada doméstica em uma casa. Suchin sentiu que era seu dever obedecer.

Aran explicou. - No Camboja as filhas são como propriedades. Elas estão lá como um meio de sustento para família.

Suchin continuou a contar. - Eles me trancaram em quarto. Eu chorei tentando abrir a porta. No dia seguinte, um homem disse, 'Eu tenho um cliente para você'. Eu não sabia o que ele queria dizer com isso, mas eu sabia que não era nada bom. Eu me recusei a ir. Então ele me levou para outro quarta, para me punir. - Ela parou por um momento. - Ele me fez beber a urina do homem, me amarrou e me cobriu com formigas mordedoras. Ele também me bateu. Finalmente, eu disse sim.

Suchin ficou desconfortável em contar sua história. Ela falou em pequenas explosões sem emoção. É como se ela tivesse se tornado outra pessoa contando sua própria história.

O primeiro cliente de Suchin era - Um homem asiático com um olhar maléfico. - Ela lembrou. Ela mudou de ideia e se recusou novamente a servi-lo. Furioso, seu cafetão levou a tortura a outro nível. Ele esmagou um punhado de pimenta quente com o pé e enfiou em sua vagina. - A dor era terrível. - Ela disse. - Eu não conseguia falar. Logo depois, o cliente colocou um preservativo e a estuprou, desfrutando de seus gritos.

Suchin não sabe se o cliente pagou uma taxa alta por sua virgindade. O tradutor acrescentou voluntariamente que, na maior parte da Ásia, você poderia ter sexo com garotas por tão pouco quanto 5 dólares. Jake observou que o preço para estuprar uma garota foi inferior aos nove dólares que ele pagou num táxi do aeroporto para o hotel.

Aran continuou. - Aqui, as virgens costumam custar mais. Depois da primeira vez, não é incomum os cafetões costurarem as meninas, as vezes até sem anestesia, assim elas vão gritar de dor na próxima vez e enganar os clientes.

Posteriormente, se Suchin não cumprisse sua cota de homens por dia, o cafetão a punia dando choques com um fio elétrico solto. - Várias vezes eu me sentia tão cansada que eu não conseguia sair da cama. Os homens simplesmente vinham até mim, um depois do outro, como uma gangue de estupradores. - Ela disse. - Eu parecia estar morta, eu queria morrer.

Aran olhou para Tess, suspirou e murmurou. - Esse é o Camboja.

- Qual a obsessã por virgens? - Tess perguntou.

- Alguns homens acreditam que o sexo com uma mulher virgem traz sorte ou boa saúde. Os estrangeiros que fazem isso, normalmente são pedófilos ou homens que querem por pra fora suas fantasias violentas. Eles sabem que podem ir embora sem serem punidos aqui. Prostituição e tráfico humano são proibidos, mas os policiais são pagos para olharem para o outro lado.

Finalmente, Suchin disse que ela decidiu fugir. - Eu não me importave se o cafetão fosse me matar. Prefiro morrer do que viver daquele jeito. Uma noite, depois de um cliente ir ao banheiro, ela viu sua chance. Ela saiu correndo e chegou à entrada do prédio, onde o cafetão a pegou. Ele arrastou-a para a sala de tortura, onde a amarrou com braços abertos e chicoteou-a com uma bengala até que ela sangrasse, em seguida, esfregou pimentas quentes em suas feridas. Depois disso ele a vendeu para outro bordel.

Enquanto ela falava, uma tempestade vespertina chegava, quebrando o calor. Ela olhou para o aguaceiro por um minuto e descreveu em silêncio sua segunda tentativa de fuga. As coisas aconteceram da mesma forma. Ela foi capturada, espancada e vendida para outro bordel.

Tess perguntou, - O que lhe deu coragem para fugir de novo?

- Eu sabia que se ficasse eu ficaria doente e morreria. - Ela disse. - Eu não tinha nada a perder. Então, uma noite, quando seu guarda tinha deixado a porta, ela fugiu de novo. Desta vez ela conseguiu chegar a rua. Ela correu o mais rápido que conseguia até que seu cafetão a alcançou e começou a bater nela. Isso foi quanto Tess interveio e sem dúvidas mandou o homem para o hospital.

Jake pagou o tradutor e o acompanhou até a porta do quarto. Tess foi se sentar na varanda, com uma bebida na mão, chateada com tudo o que ela tinha acabado de ouvir de Suchin. Jake foi para o banheiro tomar um banho. Ele tirou sua roupa e se virou. Ele viu Suchin de pé, nua na frente dele.

- O que você esta fazendo Suchin?

- Eu sou sua senhor. É a única coisa que posso fazer para agradecer sua generosidade.

- Suchin - Jake enquanto vestia seu roupão de banho. - Você não tem que fazer isso. Nós não estamos cuidando de você esperando algo em troca. Apenas queremos fazer o que for melhor para você.

- Por favor, me aceite Sr. Jake - Suchin implorou. - Eu não tenho mais nada a oferecer.

Jake colocou o roupão nela e pegou em suas mãos. Ele a levou até Tess, que continuava sentada na varanda.

- Eu acho que temos um problema Tess. Ela acha que tem que nos pagar com seu corpo.

Tess se levantou e abraçou a jovem desanimada.

- Suchin, nós entendemos que nunca ninguém fez nada por você, mas agora é diferente. Você esta segura agora. Nós vamos garantir sua segurança e cuidado. Jake traduziu. Suchin chorou. Ela não conseguia entender o que estava acontecendo. Como alguém não iria querer algo em troca?

Tess pegou a jovem pelas mãos e a sentou, tentando conforta-la. Era óbvio que a garota estava completamente desorientada e que talvez ela quisesse voltar para onde ela veio, sem nenhuma razão, mas porque era a única coisa que ela sabia fazer.

- Eu acho que devemos achar um lugar para Suchin ficar para que ela possa escapar dessa situação. Deve haver um abrigo ou instituição que ajude as prostitutas deixar essa vida.

- Isso não é a Europa ou os EUA. - Jake alertou. - Eu não tenho visto muitas evidências do funcionamento dos serviços sociais aqui. Jake, no entando, foi até seu computador e procurou por informações. Surpreso, ele achou algo que poderia ajudar. Ele descobriu uma propaganda de uma conferência católica no Camboja. Vários ministérios estavam no país, incluindo o Catholic Relief Services, os Jesuit Refugee Services e Jesuit Services, a Comunidade Maryknoll de irmãs, sacerdotes e missionários leigos, salesianos e a Escola Técnica Dom Bosco.

Ele ligou para um dos números. Logo em seguida, eles levaram Suchin para um convento. Irmã Theresa, a Madre superior, recebeu eles e listou todos os serviços que as instituições religiosas estavam tentando realizar no país.

Após uma xícara de chá, ela contou-lhes o que aconteceu. Durante a Guerra do Vietnã, os americanos que estavam perseguindo os Viet Cong, realizaram mais de 43.000 ataques aéreos dos EUA contra o Camboja, lançando dois milhões de toneladas de bombas. Alguns estudiosos atribuíram a ascensão do Khmer Rouge a devastação que os ataques causaram. A calamidade permitiu que eles atraíssem o apoio inicial dos aldeões rurais. O Khmer Rouge então desencadeou um reinado de terror e genocídio no país, além de iniciar sua própria guerra contra o Vietnã, provocando muitos anos de instabilidade e sofrimento até tempos recentes. O Khemer Rouge, como organização, eventualmente se auto-destruiu. A população no Camboja que sobreviveu só está começando agora a juntar os pedaços que restaram das cidades, vilarejos e famílias.

- Você não deve se deixar distrair pelas belas fotografias dos templos antigos de Angkor Wat ou por algumas construções novas. - Irmã Theresa adicionou. - Embora a beleza do Camboja seja muito real, assim também é a vida dolorosa de muitas das pessoas pobres.

Jake e Tess se sentiram envergonhados. Eles fizeram um acordo com o convento, em troca de prover abrigo e reabilitação para Suchin, eles receberam uma generosa doação. Eles disseram a Suchin que quando ela estivesse pronta, eles a ajudariam a começar uma vida normal. Tanto Tess quanto Jake estavam se virando para ir embora quando Suchin, com lágrima nos olhos, abraçou os dois.

Tess

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