Читать книгу A menina Lisa - Paul de Kock - Страница 7
I
Uma creada que sae a recados
Оглавление—Adriana! Adriana! vejam lá se ella apparece! Adriana! Ah! esta rapariga é insupportavel! Nunca vem quando se precisa d’ella! E depois, não ha com que chamar! aqui porém deve haver uma campaínha... Adriana!...
Uma rapariga gorda, fresca, bem feita, cara vulgar, nariz mais grosso que comprido e cabello loiro-arruivado, apparece emfim á porta d’um quarto que podia passar por um camarim, e no qual estava uma senhora estendida, como que desmaiada, em cima d’uma poltrona, emquanto que outra senhora, mais nova, mas pouco bonita e cujo vestuario elegante não conseguia fazer esquecer a sua fealdade, lhe batia na mão, sempre chamando em altos gritos a creada grave.
—O que é minha senhora? pergunta a menina Adriana, que parece não se ter apressado nada; a senhora está a gritar! grita como se houvesse fogo em casa!...
—O que é, pois não vê? é a sua ama que acaba de perder os sentidos, depois de ter dado um grito muito grande; como ella se agita... como se põe interiçada...
—Ah! sim, eu conheço isso; a senhora está com o seu ataque de nervos, com o seu faniquito; isso dá-lhe quando é contrariada, ou quando tem alguma altercação com o sr. Casimiro.
—Deu-lhe isso ainda agora depois de ter lido uma carta que a menina acaba de lhe trazer. Mas emfim, quando Ambrosina tem o seu ataque de nervos, a menina faz-lhe tomar alguma coisa, penso eu, não a deixa sem soccorro?
—De certo, minha senhora, faço-lhe tomar a limonada que o medico lhe receitou. E isso faz com que a senhora torne a si ao cabo de alguns minutos.
—Pois bem! dê-lhe a tal limonada; ande depressa, porque ella parece soffrer muito, esta pobre Ambrosina. Sabe onde ella tem essa limonada?
—Sei sim, minha senhora, sei, certamente que sei... Ai! Jesus! agora me lembro...
—De que?
—Ai! valha-me Deus! sim, a senhora tinha-me dito hontem que lhe fosse buscar outra garrafa. É verdade... agora me recordo...
—Como? pois não ha limonada em casa?
A creada grave, que tem ido abrir um armario, traz de lá uma garrafa branca, mas que está de todo vasia, e vem mostral-a á amiga de sua ama, dizendo:
—Aqui tem, veja, não lhe minto, não resta nem uma gota.
—E não foi hontem encommendar mais?!...
—Esqueci-me, a culpa é da porteira, que me demorou para me falar do gato quando eu saîa, o gato desappareceu-lhe ha dois dias.
—Mas não se tracta do gato da porteira, o que é preciso ê soccorrer sua ama. Tem a receita para essa limonada?
—Tenho sim, minha senhora, porque eu tinha tenção de ir hontem á botica, devo-a ter ainda na algibeira.
E a menina Adriana mette a mão na algibeira, tira de lá primeiramente algumas passas de uva, e sorri-se dizendo:
—É aquelle toleirão do caixeiro da tenda que sempre me ha de metter alguma coisa no bolso. Por mais que eu lhe diga: Deixe-me socegada, guarde as suas passas, não quero brincadeiras...
—Mas que é da receita? não se tracta agora do que a menina diz ao caixeiro da tenda.
—Ah! deve ser isto!...
Adriana desembrulha um papel e lê o annuncio d’uma loja nova em que se offerecem as fazendas com oitenta por cento de abatimento; depois atira com o papel para o lado, dizendo:
—Ora! fui lá, minha senhora, mas são uns mentirosos, não vendem nada novo, venderam-me umas calças de panno que tinha sido virado.
—Ah! compra calças de panno para si?
—Nada, era para o irmão d’uma patricia minha.
—Mas então perdeu a receita, desgraçada!
—Não minha senhora; olhe, aqui está, aqui a tem, tinha embrulhado com ella uns torrões de assucar que me deu o moço do botequim.
—Agora corra depressa á botica. É muito longe?
—Não minha senhora, é aqui perto, no fim da rua Meslé, uma bonita botica, no predio novo, que dá quasi para a rua do Templo. Ah! é uma das melhores de Paris.
—Comtanto que o remedio não leve muito tempo a fazer.
—Oh! não, minha senhora, não leva. E depois, direi que tenho muita pressa, para me despacharem logo; aquelles senhores da botica são muito amaveis, muito obsequiadores.
—Vae já muito depressa, não é verdade?
—Sim, minha senhora; é só pôr uma touca na cabeça, e vou immediatamente.
—Para que precisa de touca? Não pode ir assim mesmo como está?
—Oh! a senhora não quer que eu saia em cabello; diz que não é bonito.
—Mas sua ama não o saberá.
—Perdão, podia alguem encontrar-me e vir dizer-lhe que me viu na rua sem touca! A senhora despedia-me logo: mas esteja descançada, não gasto n’isso muito tempo.
A creada grave corre ao seu quarto, que é nas aguas-furtadas, pega n’uma touca, põe-na na cabeça, vê-se a um espelhinho, mas não fica satisfeita; tira a touca, procura outra no fundo d’uma caixa de papelão, experimenta-a, torna a ver-se ao espelho; depois, passado um momento de hesitação, tira ainda esta e torna a pôr a primeira; d’esta vez contenta-se com ella, e desce emfim os cinco andares, para ir buscar o remedio para sua ama, que tem muito tempo para estar demaiada.
Mas, quando vae passar por deante do cubiculo da porteira, grita-lhe esta:
—Menina Adriana! menina Adriana! ah! uma boa noticia...
—Então o que é, sr.ª Bedou?
—Achei já o meu gato; o pobre Pagnole! Achei-o. Olhe! aqui o tem.
—É verdade; e aonde é que estava?
—Ah! eu lhe vou contar o caso, é uma historia completa. Entre cá um instantinho.
—Não posso, vou á botica buscar um remedio para a senhora, que está incommodada, está com o seu ataque de nervos.
—Bem sabe que ella é propensa a esses ataques. Imagine que foi aquelle maroto, aquelle patife do quinto andar, o tal que se diz litterato...
—Ah! o sr. Denegrido.
—Sim, foi aquelle malvado que, para se vingar de eu no outro dia não lhe ter aberto a porta ás duas horas da manhã... A menina comprehende que um homem que mora n’uma agua-furtada de cento e sessenta francos, tenha o atrevimento de recolher para casa ás duas horas da manhã? E demais-a-mais nunca me deu a mais pequena gratificação! Pois bem! elle é que tinha o Pagnole fechado em casa, onde estou bem certa que nunca lhe dava de comer; por isso este pobre martyr emmagreceu tanto n’estes dois dias. Felizmente a creada do procurador do segundo andar ouviu-lhe os gemidos, e veiu dizer-me: «Parece-me que o seu gato está fechado em casa do litterato. Subi n’um pulo até ao quinto andar e reconheci a voz do meu querido bichano. Bati, teria arrombado a porta se elle não a abrisse. Elle gritava-me: «Não estou ainda levantado.»—«Pois levante-se,» respondi eu.—«Não estou vestido.»—Que me importa a mim isso?! pensa que tenho vontade de o retratar?! O homem afinal abriu a porta; o gato veiu logo lançar-se-me nos braços. Affianço-lhe que o tal Denegrido ha de ser despedido no fim do seu arrendamento; demais, elle não paga, não tinhamos tenção de o conservar.
—Até logo, sr.ª Bedou.
—Quando voltar lhe direi o que o escrevinhador me disse para se desculpar de ter fechado o Pagnole. Imagine...
—Sim, sim, quando voltar.
A menina Adriana acha-se emfim na rua. Quando passa por deante da tenda, um dos caixeiros, que parecia estar a espreital-a, toma-lhe o passo, dizendo-lhe:
—Aonde é que vae com tanta pressa? parece que corre n’um velocipede.
—Ora! que tolice! como se as mulheres podessem andar em velocipedes! o que é pena, porque seria uma coisa muito commoda para nós fazermos os nossos recados.
—As mulheres podem muito bem andar em velocipede, o caso é acostumarem-se.
—Vamos, sr. Cebolinha, deixe-me passar, não tenho tempo para conversar agora.
—Oh! a menina commigo nunca tem tempo, mas hontem, ás dez horas da noite, bem a vi estar de paleio com o moço do botequim do boulevard, as casas do boulevard S. Martinho, na margem esquerda têem todas uma saida para a rua Meslée, é commodo...
—E então? sim, bem me lembro, effectivamente, estive a falar com o Alexandre, a senhora queria tomar um capilé de leite antes de se deitar, porque tinha tossido um pouco, e pensava que aquella bebida lhe faria bem á constipação, ia eu então ao café encommendar o que a senhora queria, quando encontrei na rua o Alexandre.
—Ah! não é máu o tal capilé, acho-o porém muito assucarado...
—O quê? o que é que o senhor quer dizer com esse ar de mangação?
—Quero dizer que se a sua ama a esperava para se deitar, teve tempo para adormecer antes de tomar a tal bebida, a menina demorou-se uma boa meia hora na rua com o moço do botequim.
—É que elle provavelmente tinha muito que me contar.
—Se é d’aquella maneira que elle faz o seu serviço, não tarda que o despeçam.
—Bem se importa elle com isso! não tem vontade nenhuma de ficar onde está; vae tomar um café e estabelecer-se por sua conta.
—Oh! então o caso é differente. E a menina é que vae para o balcão?
—Ora! quem sabe! tem-se visto coisas mais de espantar.
—O Alexandre vae tomar um botequim por sua conta! Ah! ah! ah! essa é forte de mais, pode-se juntar com o capilé.
—Sr. Cebollinha, o senhor é muito maldoso, diz mal de toda a gente, desacredita todo o bairro. É uma coisa muito trivial, todos os dias se estão a estabelecer os moços de botequim por sua conta, isso vê-se a cada passo!...
—Sim, mas os que fazem isso são aquelles que têem feito economias, que têem forrado alguma coisa do seu ordenado, e não os gastadores, os extravagantes como o seu Alexandre.
—Porque é que diz: o seu Alexandre? Elle é tanto meu como de qualquer outra! o rapaz deve-lhe alguma coisa, para o senhor estar assim a dizer mal d’elle?
—É verdade que sim; deve-me ainda uma libra de mel que lhe vendi para adoçar as suas tisanas, quando esteve doente, e, como o patrão me tinha prohibido de lhe dar fiado, sou eu que terei de pagar.
—Ora! elle lhe pagará o seu mel. Olhe, lá o chamam, ande, volte para a loja.
—A menina volta?
—Nunca! o senhor tem muito má lingua.
A creada continúa o seu caminho; mas cem passos mais adeante encontra-se com outra creada quasi da mesma edade e que está vestida com muita garridice.
—Ah! és tu Rosa!
—Boas noites, Adriana. Aonde vaes com tanta pressa?
—Vou á botica buscar uma limonada para minha ama, que está com o seu ataque de nervos.
—Ainda estás em casa da tal sr.ª Montémolly?
—Ainda.
—Gostas de lá estar?
—Hum! não muito, não se diverte a gente quasi nada; mas tambem não se está aperreada, pode-se saír e voltar tarde; é o que a casa tem de bom.
—E tua ama é senhora capaz?
—Ora! não sei bem... ella dá-se por viuva.
—D’um general sem duvida? todas ellas são viuvas de um general; é uma das suas manias...
—Não, a minha diz que o marido era banqueiro. O que é certo, é que elle deixou-lhe fortuna: ella tem pelo menos quinze mil francos de renda, talvez mais alguma coisa; nós não fazemos dividas, pagamos tudo a dinheiro de contado. Oh! temos bom governo.
—Que edade tem a tua sr.ª Montémolly?
—Ella diz que tem trinta e quatro annos, mas eu dou-lhe trinta e oito, tambem mais não; foi muito bonita, e está ainda bem conservada.
—E tem muitos adoradores?
—Não! infelizmente! porque se assim fosse, havia de divertir-se a gente muito mais, e seriam maiores os lucros.
—O quê! pois tua ama renunciou aos amores, ainda em edade de agradar!
—Não! é que não percebes; minha ama não renunciou ao amor, muito pelo contraio, ella ama, oh! ama apaixonadamente um rapaz, um bello moço, o Casimiro Dernold, que vem quasi todos os dias fazer-lhe companhia, que é musico, que é pintor tambem... emfim, que faz tudo quanto quer, mas que, segundo eu creio, não quer fazer outra coisa senão divertir-se! A senhora está doida pelo tal Casimiro, não pensa senão n’elle, não sonha n’outra coisa, não se importa com mais ninguem. É por isso que não dá attenção a todos os que procuram fazer-lhe a côrte. É verdadeiramente fiel ao amante, a ponto de adoecer, de sentir as mais vivas inquietações, se elle não chega á hora do costume. Ah! minha querida Rosa! que asneira é amar um homem assim; e como a gente é muito feliz em não se prender! Não pensas como eu?
—Já se vê que sim! eu dou attenção a todos quantos me falam; por isso não tenho um instante de meu. Quando não converso com este, é porque estou conversando com aquelle! Ah! ah! é muito mais divertido! E que edade pode ter esse Casimiro, amante de tua ama?
—Vinte seis a vinte sete annos, talvez.
—E tua ama tem trinta e oito! elle deve-lhe fazer muita falcatrua!...
—Não sei, em todo o caso, a senhora vigia-o muito, é ciumenta como uma panthera! fal-o seguir; é mister que elle lhe dê conta do que faz cada dia, hora por hora.
—Pobre rapaz! olhem que vida! Eu antes queria estar nas galés!...
—Por isso elle algumas vezes respinga, grita, manda bugiar a senhora. Oh! então, são scenas terriveis! A senhora chora, ou pega n’um punhalzinho que traz escondido no seio, e diz que se vae matar...
—Bom! eu conheço essa giria! não tenhas medo de que se mate!...
—Olha, ha um mez, quando ella soube que o seu Casimiro tinha estado no Mabille, quiz cravar o punhal no peito; mas, ao que parece, dirigiu mal o golpe, porque não se feriu senão na orelha, que verteu algum sangue!
—Ah! ah! ah! ella quer-se apunhalar pela orelha. É uma grande farcista a tua ama. E esse Casimiro é rico tambem?
—Rico! elle! pelo contrario, não tem nada de seu. Então não percebeste a situação, e porque é que elle é escravo da senhora?
—Ah! sim, percebo agora; é ella quem o sustenta.
—Exactamente; tem-no seguro pela fome. Se o rapaz tivesse dinheiro, estou bem certa de que ella o não prenderia muito tempo.
—Olha, Adriana, não sei se tu és como eu, mas para mim os homens que não têem nada de seu, não prestam!...
—Eu não faço caso nenhum d’elles! Ora! um homem viver á custa d’uma mulher... é andar o mundo ás avessas! Por ventura o homem não foi feito para ganhar dinheiro e a mulher para o gastar.
—Pois, minha rica, ha ainda muitas mulheres bastante tolas que se deixam depennar pelos derriços. Olha, ahi tens a Bochechuda, tu conheces a Bochechuda?...
—Quem? A Luizita?
—Sim, mas todos lhe chamam a Bochechuda, porque parece ter sempre as faces inchadas. Emfim, ha já algum tempo, a Bochechuda travou conhecimento no baile Pilodo com um bonito rapaz, que lhe diz que é da mesma terra. Dansa com ella todas as dansas mais finas, mesmo as que ella não sabia. Depois convida-a para um jantar no campo no domingo seguinte; ella aceita; vae jantar com o seu novo conhecimento, que bebe como uma esponja; depois, quando chega a occasião de pagar a conta, aquelle senhor declara á Bochechuda que não recebeu da terra um dinheiro com que contava, e pede-lhe que lhe empreste com que pagar a despeza. Ella tinha felizmente levado o porte-monnaie. Empresta vinte francos ao tal sujeitinho, que paga e não lhe dá o troco. O jantar tinha custado apenas nove francos e dez soldos. Volta com ella a pé, não lhe offerece mais nada e larga-a muito cedo, com o pretexto de que tem um trabalho de escripturação a fazer para um tendeiro a quem serve de guarda-livros. A Bochechuda, que não gosta de ir para casa cedo n’um domingo, põe uma touca nova e vae ao baile Pilodo com uma vizinha. Quem é que ella encontra lá? o seu parasita, o seu novo conhecimento, que fazia a côrte a uma mulher e lhe pagava ponche com o troco da moeda de vinte francos que ella lhe tinha emprestado...
—Ah! a peça é bem pregada! e o que fez a Luizita?
—É tão tola que se foi embora chorando. Mas o mais curioso da historia, é que, no domingo seguinte, o tal sujeitinho tornou-lhe a pregar a mesma peça. Jantam n’uma casa de pasto, e na occasião de pagar a despeza o patife diz que não tem dinheiro.
—Ah! isso é forte demais! e ella pagou outra vez?
—Pagou, mas pelas suas proprias mãos, e guardou o troco. Desde esse dia, nunca mais tornou a vêr o seu parasita.
—Pobre Luizita! mas eu não a devo lastimar, que ella é muito presumida. E tu, Rosa, ainda estás em casa dos mesmos patrões?
—Dos Dupont? oh! não, graças a Deus! deixei-os! não era gente fina, aquillo não me convinha! A senhora ia á praça, ella é que me comprava tudo: O patrão descia elle mesmo á adega; sabia a conta das garrafas. Não se podia fazer nada com aquella gente! eram uns piolhosos, minha rica! Fechavam o assucar e os licores; aquillo não me podia convir. Eu tinha acceitado aquella casa emquanto me não apparecia outra; eu bem sabia que não ficaria lá muito tempo.
—E hoje estás melhor?
—Ah! minha rica, tenho um bello commodo! estou em casa d’um homem só, um patrão rico, generoso, nada apoquentador, negoceia por gosto, sómente para se entreter. Temos uma bella casa aqui perto, na rua Béranger, seis casas n’um segundo andar. Fiz com que o senhor tomasse um criado para esfregar; elle não o tinha, mas percebeu que eu não podia fazer tudo.
—Tens boa soldada!
—Seiscentos francos, sem contar as gratificações, os presentes!...
—Teu amo dá-te presentes! sempre és muito feliz!
—É verdade, ainda ultimamente me deu um rico lenço de seda da India!
—Que edade tem o teu patrão?
—E’ um homem que anda pelos seus sessenta annos, mas não parece, está ainda muito bem conservado!...
—Ah! entendo... estás em casa d’elle para todo o serviço. Ah! ah! esses commodos é que são bons!...
—Ah! tu pensas tolices... pois enganas-te, affianço-te que não é isso...
—Ora adeus! então por que te dá elle presentes?...
—Ah! não digo que elle ás vezes não goste de brincar um pouco, de rir, de me deitar os braços á roda da cintura, mas a coisa não chega nunca aonde tu imaginas.
—Deves perceber que isso para mim é-me indifferente; estás no teu direito de fazeres o que quizeres, assim como o teu patrão, visto que não tem mulher a quem dar satisfações. Elle é viuvo ou solteiro?
—Olha! não sei, que ainda lhe não pergunteí isso... mas preciso sabel-o...
—Ai! Jesus! minha ama que está á espera do remedio... e eu aqui a dar á lingua contigo.
—Ninguem pode levar a mal que a gente converse o seu boccado; nós não nos encontramos todos os dias!
—Pois sim, mas agora vou de corrida á botica. Adeus! Rosa!
—Até outra vez, Adriana.